quinta-feira, 6 de agosto de 2020

La vie en rose

[Aviso: esta história seria muito melhor se fosse escrita por alguém com mais talento que eu, seria muito melhor se fosse escrita por ti, e te soltasse esse teu sorriso. Ainda asssim foi vivida por mim, por isso, sempre que uma sensação vos parecer curta multipliquem por mil, hão de chegar (quase) lá perto.]

Num banho de água quente em que os nossos corpos fervem de sensualidade, as nossas hormonas já ebuliram faz muito tempo e os doces toques debaixo de água são não só inevitáveis, são quase magnéticos. A ternurenta e desejosa troca de olhares já adivinha o que daí vem. Tremo por dentro sem dares conta, como se fosse a primeira vez, mas não o é, provavelmente já estaremos mais próximos da última vez do que da primeira e essa sensação de aperto desola-me, transtorna-me enfraquece-me. O porquê(?) não pode ser dito aqui, porque nós não falamos dessas coisas, (e eu teria tanta coisa bonita para te dizer e para te mostrar)uma questão de timmings. 
Voltando ao que interessa, dentro de toda esta multiplicação infinita de sensações que me provocas, o teu olhar, o teu pacífico e confiante olhar que parece uma paisagem pintada digna da mais bela obra de arte, provocante que entra por mim a dentro, que me mergulha dentro dele tão fundo que não quero nunca de lá sair, algo tão maravilhoso que provavelmente esta será uma das partes em que para perceber isto tinham que estar dentro de mim. Mas tu, pelo menos tu, espero que o entendas, que o sintas, talvez não da forma sentimental, mas pelo menos da parte sensorial. 
A cumplicidade que advém desta troca constante de sorrisos e olhares (mais tarde quase semicerrados) leva-nos à êxtase, o prazer vivíssimo, gozo íntimo, causado por uma grande admiração, por um enlevo, por sensações adversas que me levam a estar emocionalmente fora de mim, intensamente e contundente de prazer. Há todo um choque quando os nossos lábios se tocam, como se de um guia para um caminho cor-de-rosa se tratasse, o que é isto? Como é que alguém me pode fazer sentir assim? Como é que os nossos lábios se tocam e não existe um caminho inverso? Que tipo de droga és tu? Como é que me causas estes suspiros contantes?
Navegando em ti, entre carícias, entre toques mais apimentados, na vontade de não parar de provar o teu sabor, de te provar vezes e vezes sem conta, existe todo um contexto que só eu e tu conhecemos só eu e tu vimos, só eu e tu vivemos, isso nunca ninguém me há de tirar, nem mesmo tu. Os barulhos que fazemos, os gemidos de prazer e de vontade de querer mais, a vontade incansável de nos possuirmos, que nos transporta dali, daquela mágica banheira a ferver de emoções, até à lua. Nada mais interessa, o mundo pára, e nada mais existe além do meu corpo no teu e o teu corpo no meu. Vou sempre querer-te um pouco mais do que no dia anterior (sorry, definitely not sorry). 
São noites em que nem nos melhores filmes é possivel imaginar não é? Sem dúvida que nunca vi nada assim nem nunca vou ver, quem sabe um dia o conte a alguém, que consiga criar magia através de uma lente de uma câmera de filmar, e que o possa ver vezes e vezes sem conta para poder matar as saudades que já tenho de ti. 
La vie en rose malheureusement ce ne sera pas pour toujours. 


Ps: Observar-te deitada  naquela banheira foi das sensações mais agradáveis que os meus olhos já viram.

Ps2: Talvez um dia te explique o sufoco que leva aos amuos e as coisas parvas que às vezes te digo. 

Sem comentários:

Enviar um comentário