Ao largo
Ainda ardeA barca
Da fantasia
E o meu sonho acaba tarde
Deixa a alma de vigia
Ao largo
Ainda arde
A barca
Da fantasia
E o meu sonho acaba tarde
Acordar é que eu não queria
Ao largo
Ainda ardeDesde que nascemos somos formatados para o querer, desde querer alimento, a querer brincar até querer a atenção que desejamos. Mais tarde durante a adolescência queremos a afirmação no meio social, queremos ser a pessoal cool da escola, namorar a rapariga mais bonita, mais simpática e com o sorriso mais bonito. Não fui diferente dos restantes mortais. A primeira lembrança de tenho de querer algo leva-me a um filme que via vezes e vezes sem conta na minha infância, Above the law, que conta a história de Nico, um polícia de Chicago que enfrenta uma longa jornada contra o tráfico de drogas na sua comunidade. Muito resumidamente era um polícia honesto, numa encruzilhada mortífera contra os seus colegas corruptos e traficantes de droga, que cometeram o erro de ameaçar a sua família. Nico era um homem bom, integro, com uma ligação muito forte à sua família, tinha uma mulher linda, que o amava incondicionalmente (curioso como podem existir amores bonitos em tempos de cólera). A primeira quis ser foi ser como o Nico, acho que ainda hoje quando me olho ao espelho vejo algo do Nico em mim. A sua integridade, honestidade e coragem são algo que me orgulho de ter como pilares dos meus valores.
Voltando à juventude, essa idade terrível, cheia de mudanças, desilusões, alegrias, sonhos e de começar a aceitar que temos que querer algo, de preferência algo que gostemos mesmo de fazer, pois caso contrário desistimos, fracassamos e tornamo-nos infelizes. Estou incluído quer na primeira, quer na terceira opção, fui forçado a escolher algo que me parecia ser útil para mim na altura, mesmo sabendo que era algo que não gostava ou na realidade que não me preenchia. Tornei-me infeliz a partir desse momento, numa espiral negativa e por vezes destrutiva. Nunca fracassei em nada do que fiz na minha vida, quer tenha gostado, quer não tenha gostado de o fazer, fosse mais ou menos importante tenho plena consciência que o fiz com todo querer de ser melhor, com todo o brio que me orgulho de ter.
Nos últimos anos travei a maior das minhas lutas, aquela que me esgotou por dentro, que sem tocar no meu corpo, me atirou ao chão mais de mil vezes e que com a raça que sempre tive, levantei-me sempre mais uma vez do que caí. Mas era uma luta que eu queria travar, podia ter fugido dela, mas era uma luta que eu já queria e já estava preparado para travar mesmo antes de o saber. Tal como na história do Nico, houve um imbecil que achou que podia fazer mal àqueles de quem gosto, infelizmente para mim esse imbecil tem um laço sanguíneo para comigo que não dá para mudar. Foi uma luta que venci, porque quis vencer, quis vencer mais do alguma coisa que tenha desejado até então, e um grande peso saiu de cima de mim embora exista uma possibilidade de um pequeno regresso a essa luta, pois num dos lados sinto que ainda se contam espingardas.
Durante muito tempo estive afastado de querer algo de importante, continuei a querer muitas coisas, algumas boas, outras nem por isso, mas coisas realmente importantes e que me enriquecessem enquanto pessoa foram muito poucas. Decidi mudar, não por achar que devia dar importância ao preconceito familiar e do círculo mais próximo de acharem que estava sem rumo. Talvez até estivesse sem rumo, não ponho essa parte de lado, mas a realidade é que quis mudar por mim, porque sei que quero mais, porque sei que sou melhor do que isto, consigo ser melhor do que isto, por mim, sempre por mim e nunca por mais ninguém a não ser eu. Há todo um quase cliché que é usado para essas situações "não há ninguém igual a mim" e não há de facto, sei de quase todo o meu potêncial, principalmente o humano. Foi um desafio muito grande voltar aos estudos depois de tanto tempo sem desinteresse pela vida académica. Caminhei só nesta aventura, sem o apoio da maior parte dos mais próximos, a quem a mudança lhes causa aflição. Foi duro, não nego, mas soube-me bem, voltar a acreditar e a saber que consigo ser melhor em todos os campos. Não vivo iludido com isso, pois sei que esta maratona ainda não acabou, a mudança é sempre uma constante, não há como fugir, mas em relação a esta maratona ainda há muito por correr e eu vou corrê-la, com toda a vontade que tenho de ser melhor e nunca olhar para trás, sempre em frente.
Há uns dias atrás fui apanhado desprevenido, de guarda completamente baixa por um grande amigo meu que ao olhar para o meu ar amoriscado e enfeitiçado por ti me perguntou:
-Quanto é que estás apaixonado por ela?
Até esse momento, nunca ninguém me tinha perguntado isso, já todos repararam, mas essa pergunta sempre foi feita dentro dos meus pensamentos.
-Muito, muito mais do que aquilo que imaginava algum dia poder estar, ao ponto de ir com toda a força contra uma parede. - Respondi-lhe de forma imediata e segura, com a certeza de quem sabe o que sente e o que diz.
- Teres a certeza do que sentes é o primeiro passo para saberes o que queres, numa escala de zero a dez, quanto é que a queres? - perguntou-me ele de forma amistosa, de quem reconhece que no brilho dos meus olhos há toda uma preocupação e um medo.
- Mil vezes o infinito. - Respondi-lhe de forma um pouco honesta, pois sei que dentro de mim quero-te muito mais do que isso.
Este pequeno diálogo paira na minha cabeça desde então, por tudo o que pode acontecer, mas por uma coisa que acho que tem uma ligação especial com o querer algo ou neste caso alguém, o medo de perder essa pessoa, não de uma forma em que se ache que se possuí, porque não é isso que sinto em relação a ti, nem quero. Nós não gostamos de perder as pessoas que são importantes para nós, e os palermas que não se iludam, as relações são o mais importante que a vida nos dá, são a fonte das nossas alegrias e das nossas melhores memórias, quando tivermos noventa anos e olharmos para trás na nossa vida, o que vamos desejar? Ter tido um melhor carro? Uma melhor casa? Um melhor emprego? Ter dormido mais? Não! Vai ser de certeza eu gostaria de ter dedicado mais tempo às pessoas que sempre quis, que sempre amei.
Quero-te todos os dias um bocadinho mais, mas tu não me queres, o mais provável é que nunca me venhas a querer e por isso não é justo para ti eu continuar com este assunto, fica para outra vida.
Ps: Não és um escape das minhas frustrações, um amparo egoísta para as coisas que correm mal, sempre fui eu contra o mundo. Não quero que sintas essa responsabilidade.
E aqueles que não sabem dançar? Esses terão que se soltar, os pés, as mãos e o resto do corpo. Até que toquem no seu par, pois tanto na dança como no amor, as coisas não surgem com uma ordem lógica, simplesmente quando se quer e se aceita, acontecem como por magia.
Acredito que dançar sozinho possa dar uma sensação de liberdade, de evitar os erros dos outros, os desajeitos e por vezes a falta de talento. Talvez até possa dar uma sensação de controlo sobre a "dança", mas não há muita coisa nesse mundo que estejamos aptos para controlar e a "dança" não é diferente. Talvez chegues ao final da dança e te sintas espectacular pois achas que brilhaste sozinha, por ti, sem ninguém. Eu digo-te que não, e vou dizê-lo sempre. A dança é muito mais bonita quando partilhada, como tudo o que é de bom neste mundo, como a partilha de uma sensação, um sorriso, um olhar ou um beijo apaixonado.
Eu não sei dançar, nunca soube e talvez nunca vá saber. Quem sabe se um dia não me ensinarás a dançar a tua exigente dança, a mais bonita de todas, a nossa.
Fitar os olhos em; ficar cara a cara com alguém; mirar-se: olhar o pôr do sol; olhava para a paisagem; olharam-se com admiração.
Há algo no teu olhar, infinito e profundamente penetrante em mim, que me consome como uma chama que arde numa folha de papel. Arde com a suavidade da natureza, pois a natureza no seu estado natural é suave, libertante, reconfortante como os quase infinitos pores do sol que já partilhámos. Nesta aventura de sentidos que é a nossa troca de olhares petrifico, como se do meu corpo controlasses, como se sofresse uma hipnose permanente da qual não quero sair. Que misto de sensações causam estas coisas comuns a todos os seres, mas que tu, com esse brilho nos olhos lhe dás um significado tão bonito, tão pacífico e ao mesmo tempo inebriante. Sentado naquela pedra, debaixo daquela árvore que por tantas vezes passei sem a notar, tive a primeira oportunidade de te contemplar, mal sabia eu o que me viria atropelar, desarmar-me desta bolha que me rodeava. Um nó na garganta, daquelas que impedem de respirar mas em simultanêo te alimentam com aquele teu encanto e subtileza.O teu olhar lembra-me o verão, que por mais uma ironia do destino foi quando nos conhemos. Um verão quente, feliz que transborda harmonia. Que esse verão do teu olhar nunca acabe, que esse teu brilho, que ilumina mais do que aquela lua que vimos juntos nunca se apague.Os teus olhos verdes com tons de avelã e mel são os mais encantadores, formosos e harmoniosos que alguma vez tive o prazer de cruzar.
Subtileza diria eu,
subtileza descreveria eu.
Sim, a tua pele na minha pele.
Entretanto não a sinto,
mas lembro me dela
do que provoca em mim,
do seu sabor e perfume.
Quando suada,
transpirada,
quente e molhada,
escorrega e desliza.
Delicadeza senti eu,
delicadeza experienciei eu.
Sim, a tua pele na minha pele.
Num suspiro profundo,
a levitar.
Contraditório...
Como algo intenso
pode flutuar.
E continuo...
A sentir a tua pele...
Na minha pele.
Por: Pipoca
É para lá do tudo a viver
que ainda por ser encontrado
já foi tudo sem saber!
Respirar te, ouvir te, saborear te, olhar te, sentir te...
É para lá do tudo a viver
que assim foi experimentado
e, no passado fiquei a conhecer.
Para lá de tudo
não importa se será futuro,
se é presente,
ou se foi findado.
É para além do que é visível,
é para além do que é palpável,
do tangível ou perceptível.
Engraçado,
que é assim que é para lá ou além:
olhos nos olhos
mãos com mãos
boca com boca
pés com pés
corpo com corpo.
Por: Pipoca