Nem acredito que tive um ano sem falar contigo, foi provavelmente o ano mais dificil que tive. Foi o ano de todas as grandes perdas da minha vida e tu sabes disso. Ambos sabiamos que nunca nos iamos separar, tivemos sempre juntos desde que nasci, já pensaste que foste a única pessoa que teve sempre comigo? Como posso eu não gostar de ti, claro que gosto, adoro-te de todas as maneiras possíveis e imaginárias. Nunca te vi como um irmão, vi-te como um pai, como um salvador, um vencedor, um bravo que nunca vira a cara a uma luta. Já viste as batalhas que venceste? Umas comigo e outras sem mim, mas venceste. Nunca te vi perder seu sacana. E orgulho-me disso.
Nunca ninguém pisou em cima de ti, e os que tentaram fazê-lo comigo tu afugentaste-os como mosquitos. No outro dia lembrei-me de ti, vi um pequeno leão que tinha sido abalroado por um elefante e perdeu a mobilidade nas patas de trás, inofensivo tentou seguir o resto do grupo de pequenos leões que o ignoravam e seguiam o seu caminho. Sabes quem ficou para o ajudar? Quem mais poderia ser? O irmão mais velho. Lembrei-me de ti, de nós, daquele dia que quase destruiu as nossas vidas. Tu foste tão forte, palavras faltam-me para descrever o orgulho que tive em ti, quando mais ninguém conseguia enfrentaste o nosso "medo",que grande homem que és, disso não dúvides.
Há outra coisa que nunca te disse, e que te menti, e tu nunca vais saber que eu te menti. Foste tu que me tirou do abismo no dia em que eu fui um cobarde egoísta e quis desistir de tudo. Fui buscar forças em ti, tu foste o melhor exemplo de força que consegui encontrar, obrigado.
Nem acredito que te vais embora, que vai ser deste quarto sem ti? É tão egoísta não querer que vás que não consigo pedir-te que fiques. Vai, sê feliz, tu mereces, mas por favor nunca te esqueças de mim, que eu nunca te vou esquecer de ti, das nossas brincadeiras de criança, das nossas tareias, dos nossos sorrisos, dos nossos choros e da nossa despedida de criança.
"- Boa noite, se deus quiser."
"- Sonhos cor-de-rosa, se deus quiser."
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
terça-feira, 29 de maio de 2012
Superstição
[1. Sentimento de veneração religiosa fundada no temor ou ignorância e que conduz geralmente ao cumprimento de falsos deveres, a quimeras, ou a uma confiança em coisas ineficazes.
2.
Opinião religiosa fundada em preconceitos ou crendices.
3.
Presságio que se tira de acidentes e circunstâncias meramente fortuitas.]
Não sou supersticioso, provavelmente nunca serei.
Não acredito em nada de que supere a capacidade humana, acredito sim que um humano em certas circunstâncias da sua vida pode superar-se a ele próprio. Não condeno aqueles que acreditam em Deus, aqueles que oram dia após dia, respeito muito mas eu não sou capaz, já tentei mas não faz parte de mim ser religioso. Fui egoísta com esse Deus que eu nunca encontrei e que nunca me encontrou ao ponto de pedir auxílio em tempos de aperto e nunca fui socorrido, tentei demasiadas vezes...e nada. Talvez por isso não acredite na existência de alguém superior ao ser humano.
O que é a superstição para um comum mortal? Será somente o acarretar de uma medalha no retrovisor no carro porque assim estamos protegidos de um acidente? Não pode ser, eu não acredito nisso, sou de poucas crenças é certo mas a superstição tem de ser algo mais que isso. Existem diversas formas de superstição, lembro-me agora de um louco, porque ele é louco ao ponto de antes de entrar dentro de água para nadar desenhava sempre o seu nome na água. Isso faria dele bom nadador? Nem por isso, até porque ele não sabia nadar e essa é a parte cómica e estúpida da situação.
- "Tenho medo de levantar os pés da terra". Dizia aquele palerma.
Escrever o nome dele na água protegia-o de quê?
Estará a superstição ligada à sorte ou ao azar? Duvido! A sorte não é nada mais nada menos que perícia. Não existe sorte de principiante, existe uma vontade de ganhar que se vai perdendo após várias tentativas.
Neste momento tenho a necessidade de acreditar em algo, que faça com que tudo te corra bem. Que o telefone toque e me digas que correu bem, que estás bem. Não vou rezar (até porque não o sei fazer), não vou atirar nenhuma moeda ao ar e muito menos irei pegar num malmequer e tirar-lhe todas as pétalas, mas vou sem a menor dúvida acreditar que tudo vai correr bem, vou ter esperança...A melhor amiga da superstição.
domingo, 13 de maio de 2012
O valor de uma amizade
Este texto conta a história de dois amigos e como verdadeiros amigos que são não se trata de uma história de amor. Poderia até ser, a homossexualidade tanto como outro assunto qualquer nunca foi tabu para nenhum deles.
Relembro a história destes amigos, não improváveis, porque a amizade nunca é improvável de acontecer, apenas nasce e permanece para sempre.
Conheceram-se no sitio mais estranho de sempre, numa entrevista de emprego. Vindos de lados opostos de Lisboa, com idades diferentes (diferença essa nunca notada) e de classes sociais completamente opostas. Bernardo que era o mais novo estava nervoso como nunca tinha estado na vida, afinal era a sua primeira entrevista de emprego. Manuel estava atrasado mas era o entrevistador e podia fazer aquilo que bem queria, ninguém lhe podia dizer nada, era óptimo no que fazia. O relógio marcava exactamente 09:13 quando Manuel chegou ao edifício, treze minutos que pareceram uma eternidade. Trazia consigo um sorriso enorme e feliz, como sempre claro, foram poucas as vezes que entre eles transmitiram as tristezas da vida. Quando viu Bernardo pela primeira vez, reconheceu-lhe o rosto e achava que já o tinha visto em algum lado pois era lhe muito familiar aquela imagem, mas não, foi só pura coincidência.
Eram doze ou treze candidatos se a memória não me falha, não era propriamente uma prova a eliminar mas ninguém queria ficar mal visto, e o jovem com o seu sangue novo deu o seu melhor e foi contratado.
-Parabéns Bernardo, bem vindo a empresa. Esperamos que tenhas muito sucesso e que te dês muito bem por aqui. - Disse o mais velho.
O jovem rapaz ainda meio surpreendido por aquela pequena vitória, ficou bem mais aliviado com este elogio que foi para casa como se tivesse ganho o mundo.
Passaram-se cerca de dois meses desde que se conheceram e sem dúvida que já eram grandes amigos e por isso por vezes almoçavam juntos, conversavam em períodos de pausa e até ao final do dia antes de cada um seguir o seu caminho ainda fumavam o seu cigarro e trocavam dois dedos de conversa. Tinham gostos parecidos, discutiam cinema, politica e até economia. Esta amizade como tudo o que é bom na vida trouxe as suas pequenas invejas mas nunca foi nada que afecta-se qualquer um deles, muito pelo contrário, eles gozavam com isso. Se fosse preciso era mais um motivo para eles falarem mais, até que todos se fossem embora. Houve alturas intrigantes em que corriam rumores sobre a homossexualidade de Manuel, mas esse assunto nunca lhes importou, até poderia ser verdade, mas Bernardo nunca perdeu tempo a pensar sequer nisso, simplesmente eram amigos e fosse ou não verdade era um assunto que não lhe dizia respeito, nem a ele, nem aos intriguistas do costume.
Como boa empresa que se preze, existem dias muito complicados e muita confusão à mistura. Bernardo sofreu isso na pele, num dia muito complicado onde foi perdido muito dinheiro, parte dele, não me recordo se foi muita ou pouca, foi perdida graças a ele. Foi para casa de rastos, triste e furioso ao mesmo tempo, nem esperou para o cigarro de fim do dia e Manuel percebeu isso, deixou-o ir. Enviou-lhe uma mensagem por telemóvel que deixou o jovem petrificado em pleno eléctrico em hora de ponta, Bernardo ficou bastante surpreendido, alegre por saber que não era mais um de quinhentos funcionários, mas acima de tudo sentiu que ganhou um amigo para a vida. Ninguém que não fosse um verdadeiro amigo jamais faria aquilo, daquela forma e com tamanha genuinidade.
Passaram-se anos(!) ambos já não trabalhavam no mesmo sitio, foi complicado na altura a mudança de rotinas, mas foram os dois para um emprego melhor. A amizade acho que nunca se perdeu. Pelo menos Bernardo acredita que não, sabe que não. Só que nunca conseguiu ultrapassar aquela depressão, nunca conseguiu pedir ajuda, nunca conseguiu gritar ao amigo por ele. Evitou-o sem saber, ignorou-o sem o saber. Ainda hoje não sabe como voltar a falar com ele. Sente-se a pessoa mais inútil de sempre, ao deixar um amigo durante cinco meses, que cobarde. Se pude-se falar com Manuel diria-lhe certamente que ele é o amigo que todos nos procuramos, que está sempre quando precisamos, que nos diz as coisas mais fantásticas nas alturas mais complicadas da vida, mas que acima de tudo, gosta das pessoas por aquilo que elas são.
-Desculpa, eu sou uma merda. É tudo o que te tenho a dizer sobre a cobardia que tem sido a minha vida nestes últimos tempos. - Disse Bernardo ao Manuel passados cinco meses e dezasseis dias.
sábado, 5 de maio de 2012
Mamã
Eu lembro-me da primeira vez que te vi, tão jovem, tão linda. Eu ainda me lembro dos caracóis no teu cabelo, passaste-mos, deste por isso? Sei que sim, tu deste valor a cada minuto que passaste comigo desde que nasci. Há quase um terço de século que me aturas, não deve ser fácil.
Foste a única mulher que eu sempre amei, de todas as que passaram na minha vida e faças o que fizeres, vais estar sempre na linha da frente, tu deste-me vida, tu tornaste-me homem, o verdadeiro com um "h" grande.
Eu amo-te e digo-o com orgulho. Hei de dizê-lo sempre, vou gritar sempre ao mundo isso. Não quero que nunca te esqueças, ser teu filho é um orgulho, é uma honra.
Tu és forte, tu dás-me força nos momentos fracos, és a força em pessoa. Nunca me abandonaste e eu nunca te vou abandonar. Eu disse que te ia deixar uma vez, que estúpido que eu fui, foi sem pensar e tu sabias mas doeu muito que eu sei. Eu sei quando estás triste e tu melhor que ninguém sabes quando se passa alguma coisa comigo. Mãe que é Mãe sabe sempre o que se passa com os filhos, lembraste quando comecei a fumar? Lembro-me bem nisso.
- Que tens, pah? Há uma namorada nova? Hummm que engraçado. -Disseste, com a maior das razões. Tal como sempre.
Nunca falhaste, sempre que fizeste ver as coisas da melhor maneira possível , às vezes és bruta, mas eu gosto de ti assim, eu sou como tu. Teimoso, orgulhoso e impulsivo, não dou o braço a torcer nunca tal como tu, deixo-me levar pelos sentimentos e digo coisas que por vezes não quero. Isso acontece demasiadas vezes (ficas desde já a saber).
Disseste que te querias ir embora, que a vida não prestava para ti. Choraste, puseste as mãos à cabeça. Gritaste que querias morrer, abraçaste os teus braços ao tronco e eu abracei-te com força em mim, olhei te nos olhos profundamente dei te um longo beijo no rosto e disse:
- Mãe, eu estou aqui.
Tu sorriste para mim, encostaste a tua cabeça no meu pescoço e sussurraste:
- Eu sei.
E tudo acabou.
Foste a única mulher que eu sempre amei, de todas as que passaram na minha vida e faças o que fizeres, vais estar sempre na linha da frente, tu deste-me vida, tu tornaste-me homem, o verdadeiro com um "h" grande.
Eu amo-te e digo-o com orgulho. Hei de dizê-lo sempre, vou gritar sempre ao mundo isso. Não quero que nunca te esqueças, ser teu filho é um orgulho, é uma honra.
Tu és forte, tu dás-me força nos momentos fracos, és a força em pessoa. Nunca me abandonaste e eu nunca te vou abandonar. Eu disse que te ia deixar uma vez, que estúpido que eu fui, foi sem pensar e tu sabias mas doeu muito que eu sei. Eu sei quando estás triste e tu melhor que ninguém sabes quando se passa alguma coisa comigo. Mãe que é Mãe sabe sempre o que se passa com os filhos, lembraste quando comecei a fumar? Lembro-me bem nisso.
- Que tens, pah? Há uma namorada nova? Hummm que engraçado. -Disseste, com a maior das razões. Tal como sempre.
Nunca falhaste, sempre que fizeste ver as coisas da melhor maneira possível , às vezes és bruta, mas eu gosto de ti assim, eu sou como tu. Teimoso, orgulhoso e impulsivo, não dou o braço a torcer nunca tal como tu, deixo-me levar pelos sentimentos e digo coisas que por vezes não quero. Isso acontece demasiadas vezes (ficas desde já a saber).
Disseste que te querias ir embora, que a vida não prestava para ti. Choraste, puseste as mãos à cabeça. Gritaste que querias morrer, abraçaste os teus braços ao tronco e eu abracei-te com força em mim, olhei te nos olhos profundamente dei te um longo beijo no rosto e disse:
- Mãe, eu estou aqui.
Tu sorriste para mim, encostaste a tua cabeça no meu pescoço e sussurraste:
- Eu sei.
E tudo acabou.
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Inicio
Tudo tem um inicio, tudo tem um motivo, mas nem tudo tem fim, nem um fim.
Pretendo que este seja um lugar de livre expressão, respeito, pluralidade de ideias e desabafos. Falar abertamente sobre tudo é algo que todos, pouco ou muito, lutamos. A essência do mundo dos blogues e da blogosfera a isto confere, falar abertamente sobre o que te der bem na telha. É isso que tenciono fazer.
O título deste blogue é uma pequena homenagem a um dos melhores livros que já tive a oportunidade de ler, "A sul da fronteira, a oeste do sol" conta a história de vida de um simples homem que vive obcecado com a mulher que sempre quis, mas nunca teve. É um pouco como todos nós, um pouco como este blogue que sempre quis e só hoje o iniciei.
Por amar a Língua Portuguesa da forma que a aprendi, e por achar que o novo acordo ortográfico viola tudo aquilo que eu sempre gostei na mesma, este blogue nunca será escrito com as regras do dito acordo.
Desfrutem, senão não faz sentido ele existir.
Pretendo que este seja um lugar de livre expressão, respeito, pluralidade de ideias e desabafos. Falar abertamente sobre tudo é algo que todos, pouco ou muito, lutamos. A essência do mundo dos blogues e da blogosfera a isto confere, falar abertamente sobre o que te der bem na telha. É isso que tenciono fazer.
O título deste blogue é uma pequena homenagem a um dos melhores livros que já tive a oportunidade de ler, "A sul da fronteira, a oeste do sol" conta a história de vida de um simples homem que vive obcecado com a mulher que sempre quis, mas nunca teve. É um pouco como todos nós, um pouco como este blogue que sempre quis e só hoje o iniciei.
Por amar a Língua Portuguesa da forma que a aprendi, e por achar que o novo acordo ortográfico viola tudo aquilo que eu sempre gostei na mesma, este blogue nunca será escrito com as regras do dito acordo.
| [BLOGUE - Página de Internet regularmente actualizada, que contém textos organizados de forma cronológica, com conteúdos diversos (diário pessoal, comentário e discussão sobre um dado tema, etc.) e que geralmente contém hiperligações para outras páginas |
(Do inglês blog, «idem», de weblog, «idem»]
Desfrutem, senão não faz sentido ele existir.
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