terça-feira, 11 de agosto de 2020

Aquela dança de quem não sabe dançar


A valsa surgiu no começo do século XIX, foi durante muito tempo considerada uma dança imoral, reprovada pelas classes sociais mais altas, sendo até proibida em alguns países europeus. Foi inspirada numa dança em que os pares dançavam separados para mais tarde se tornar num dos símbolos máximos dos pares enamorados, dançando juntos, mostrando ao mundo a ligação que existe entre a dança e o amor. Não há nada mais belo que duas pessoas que se amam a dançar, cruzam as mãos e os olhares apaixonados, agarram-se pela cintura em sinal de respeito mútuo e brilham. O mundo pára nesse momento, transportando esses dois pontos de luz erradiante para outra dimensão, para o seu mundo, o mundo daqueles que se amam, que se acarinham, que se protegem, que se respeitam e que se for preciso movem os mais bravos mares para que nada os separe. 

E aqueles que não sabem dançar? Esses terão que se soltar, os pés, as mãos e o resto do corpo. Até que toquem no seu par, pois tanto na dança como no amor, as coisas não surgem com uma ordem lógica, simplesmente quando se quer e se aceita, acontecem como por magia. 

Acredito que dançar sozinho possa dar uma sensação de liberdade, de evitar os erros dos outros, os desajeitos e por vezes a falta de talento. Talvez até possa dar uma sensação de controlo sobre a "dança", mas não há muita coisa nesse mundo que estejamos aptos para controlar e a "dança" não é diferente. Talvez chegues ao final da dança e te sintas espectacular pois achas que brilhaste sozinha, por ti, sem ninguém. Eu digo-te que não, e vou dizê-lo sempre. A dança é muito mais bonita quando partilhada, como tudo o que é de bom neste mundo, como a partilha de uma sensação, um sorriso, um olhar ou um beijo apaixonado. 

Eu não sei dançar, nunca soube e talvez nunca vá saber. Quem sabe se um dia não me ensinarás a dançar a tua exigente dança, a mais bonita de todas, a nossa.

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