sábado, 5 de maio de 2012

Mamã

Eu lembro-me da primeira vez que te vi, tão jovem, tão linda. Eu ainda me lembro dos caracóis no teu cabelo, passaste-mos, deste por isso? Sei que sim, tu deste valor a cada minuto que passaste comigo desde que nasci. Há quase um terço de século que me aturas, não deve ser fácil.
Foste a única mulher que eu sempre amei, de todas as que passaram na minha vida e faças o que fizeres, vais estar sempre na linha da frente, tu deste-me vida, tu tornaste-me homem, o verdadeiro com um "h" grande.
Eu amo-te e digo-o com orgulho. Hei de dizê-lo sempre, vou gritar sempre ao mundo isso. Não quero que nunca te esqueças, ser teu filho é um orgulho, é uma honra.
Tu és forte, tu dás-me força nos momentos fracos, és a força em pessoa. Nunca me abandonaste e eu nunca te vou abandonar. Eu disse que te ia deixar uma vez, que estúpido que eu fui, foi sem pensar e tu sabias mas doeu muito que eu sei. Eu sei quando estás triste e tu melhor que ninguém sabes quando se passa alguma coisa comigo. Mãe que é Mãe sabe sempre o que se passa com os filhos, lembraste quando comecei a fumar? Lembro-me bem nisso.
- Que tens, pah? Há uma namorada nova? Hummm que engraçado. -Disseste, com a maior das razões. Tal como sempre.
Nunca falhaste, sempre que fizeste ver as coisas da melhor maneira possível , às vezes és bruta, mas eu gosto de ti assim, eu sou como tu. Teimoso, orgulhoso e impulsivo, não dou o braço a torcer nunca tal como tu, deixo-me levar pelos sentimentos e digo coisas que por vezes não quero. Isso acontece demasiadas vezes (ficas desde já a saber).
Disseste que te querias ir embora, que a vida não prestava para ti. Choraste, puseste as mãos à cabeça. Gritaste que querias morrer, abraçaste os teus braços ao tronco e eu abracei-te com força em mim, olhei te nos olhos profundamente dei te um longo beijo no rosto e disse:
- Mãe, eu estou aqui.
Tu sorriste para mim, encostaste a tua cabeça no meu pescoço e sussurraste:
- Eu sei.
E tudo acabou. 

  

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